
RESENHA
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Pessoalmente, posso dizer que amei esse livro
com todas as minhas forças.
Quem sabe possa eu tê-lo amado pelo fato de
estar meio que inserido no meio de um núcleo literário que, com licença dos
outros gêneros, eu amo incondicionalmente.
Sempre amei livros sobre guerras; e quando a
autora Vaddey Ratner englobou na obra um fundamento histórico e uma carga
pesada de drama, o livro ficou quase que genial.
A personagem principal da trama, a pequena Raami
de apenas sete anos de idade é sem dúvida um dos pontos altos da história. Quando
menor, a garota teve poliomielite, o que acabou limitando seus movimentos nas
pernas e causando-lhe dificuldades para andar. Raami é integrante da realeza
no Camboja, país em que a história se passa. Os acontecimentos no livro
narram a ditadura Cambojana no ano de 1975, logo após Khmer Vermelho tentar programar
um regime socialista no país.
Como disse, por fazer parte da realeza, Raami,
mesmo com suas limitações, não tinha nenhuma preocupação ou privação, até o
momento em que somos inseridos na realidade cambojana da época.
Com o início da ditadura, a garotinha e sua
família foram obrigados por Soldados Revolucionários a desocupar o palácio
onde viviam. Mesmo com toda turbulência e violência em que foram tirados de
casa, Raami e sua família permanecem unidos, mas o pior ainda estava por vir.
O Camboja acabara de se tornar uma terra sem
lei e sem dignidade alguma. Fome, pobreza, miséria, escravidão, violência,
abusos e doenças são alguns dos demônios que, não apenas a família de Raami, mas
todo o povo cambojano teria de enfrentar.
Mas, admirável é ver a maturidade da criança
que está narrando a história. Inúmeras vezes me esqueci de qual a idade da
garota, pois é inacreditável a existência de um crescimento e amadurecimento
emocional tão grandes para tão pouca idade.
Pesquisando mais sobre o livro, descobri que
esse foi o romance de estreia da autora. Porém, o que mais me surpreendeu foi
que a mesma, ao escrever o livro estava contando sobre fatos, acontecimentos
e pessoas que ela conheceu, viu e presenciou. Ratner tinha cinco anos quando
o Khmer Vermelho assumiu o poder, em 1975.
A edição brasileira do livro é maravilhosa, e passa
com uma sutileza perceptível uma pontinha do que está por vir. O livro é bem
diagramado, é bem produzido e foi muito bem tratado pela editora que está de
parabéns.
Enfim, “À Sombra da Figueira” é uma obra linda
tanto historicamente quanto esteticamente, que eu gostei e que, se você curte
uma história tocante, com certeza vai amar. Fica a dica pra vocês.
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